Quando alguém tatua o nome do namorado, eu acho é pouco se o namoro acabar.
Vi no Jacaré Banguela.
Febrero 2012
17 publicaciones nuevas
![]()
Encabulada
Quais pessoas perdeste encabulada
nas suas aulas que nunca cabulaste?
Lá no pátio, na chance ultrapassada
no respeito, no “certo”, no desgaste…
Sinta o beijo de outrora, que roubaste
dos seus sonhos morena, não foi nada.
Pois, por mais que o destino bem te arraste
a ferida não foi cicatrizada…
Olhe tudo, pois tudo foi perdido
nunca voltam os tempos demolidos,
e o relógio sereno só lhe avança…
Rasgue tudo, seus sonhos, e no escuro
beije a boca bravia dos futuros!
Sê Quixote, sê solto, sê criança!
O curioso caso de Benjamin Button (via embonitar)
![]()
Aqui o link para a HQ… http://vertigemhq.blogspot.com/search/label/Benjamin%20Button
Diana Sarmento vais curtir…
Eu não quero ser moderno, eu sou fora destas questões, eu não quero ser rápido, não quero estar dentro da relação custo/benefício. Eu não quero ser parte do caos urbano e nem quero seguir as correntes. Eu sou como aquele ser à tempos esquecido que anda pelas copas dos prédios, sempre presente, perene e distante, sou sim como os fantasmas. Aqueles, sabes? Aqueles que permeiam a raia dos mundos, como uma resistência terna e estarrecedora, como uma carta suicida largada no ônibus da escola.
Suicidas pendurados nos postes e ninguém os vê, sou como eles e seus mendigos. Sou a loucura que verte dos poros dos amores platônicos e o miar em cio dos gatos… Eu sou aquilo que não respeita rotina, eu sou o fantástico cotidiano, muito longe do exemplo fácil e efêmero como uma história escrita para o público “x”, com suas letras grandes e frases de impacto.
A minha diferença, o que me difere de ti senhor, é que eu nasci e respirei o cinza que veneras, o erótico é, senhor, não o movimento receptivo de uma cadela no cio, mas sim o modo que aquele casal no outro lado do terminal se olha, veja! Gestos, cores, sem sexo casual, sem destruir nada, apenas o encarar apaixonado, isso é erótico, referente a Eros, referente á união daquilo que assim o deseja. O olhar, senhor! Veja os olhos deles e veja aquilo que todos os ímãs almejam, Eros é isso. Sortudos eles que se amem, sortudos eles que se deitem, pois o resto é resto, pois o resto é belo, mas não vazio…
Eu cresci no desapego, eu cresci olhando as janelas e fundi as constelações com os postes da rua de minha cidade natal. E a minha arte não é para venerar o fast-food, minha arte não impacta ao primeiro olhar, meus versos precisam ser invocados som por som… Palavra por palavra no estalar nos cantos da boca a cada sílaba fechada. Denso, terno e delicado, simplório por sua complexidade e preciso pelo seu subjetivo. Chama-me de “parnaso filho da puta”! Que seja!
Mas não sou de seguir correntes, o que me prende é o querer ser algo perene num mundo descartável, como o grafite nos muros daquela casa! Como as suas marcas na epiderme que tanto rasgas!
![]()
Desespero/Boneca
Minha pequena namorada, alfinetada serena em suas linhas, obra sim boneca; Feita pelo mais nobre artífice conjecturo. E a resumo encharcada com cada amor concebível por minha natureza… Possível sim a única certeza neste cruel, neste mundo incandescente e destrutível.
Amas-me? Corresponde como se amas um príncipe? Simples como aquele que a protege dos abrolhos desta vida infecta? De todo o mal que rege a heresia de nosso destino?
Boneca pequena e serena na sua palidez sua tez de um toque doce e delicado, glacê ou num tom alfenim, eu te amo e sei que nada me afastará de ti. Pois não á em ti nada que expurgue este amor por ti. Meu horror que tanto amo, o meu horror seria verte às traças, na desgraça das abandonadas, livre ao sorvedouro desta podre realidade.
Menina minha meu mundo, meu conforto absorto na loucura passional, na sua ternura porcelana. Quem saberá se há amor assim maior que o meu! Penso em ti meu licor, me amas? Me amas criatura!? Me encaras com as escuras claras de seus olhos, de gema mais negra obsidiana… Que loucura emanas?! Que calor meu absorves como um metal tão frio e nobre…
Serena, me encare, que sentes? O que pensas nesta sua letargia? Seguro-te seguro que fales e beijo essa tua pele em seda e deslizas como se me repelisse… E não me falas nada…
Mas não sei, te amo sabes? És perfeita, feita por encomenda e não rasgas os meus sonhos com isso, nunca me trairá e nunca, nunca estarás comigo por questão de ócio. Estás aqui e pronto. Guardas rancores? Amores antigos?
Mas me amas boneca!? Não manifestas nada por mim, e infestas tudo com um silêncio letárgico… Doce, me confortas sabe? E dormes comigo mas não sinto se é isto que queres… Ou és tão má assim? Não me reconheces?
Olhe pra mim amor… Tenho de segura-la sempre e tão ingrata. Estás farta de mim? Queres sair daqui? Não! Não podes! Precisas de mim.E se tentas, caso eu queira, posso muito bem descosturar-lhe as pernas meu amor…
![]()
Rádio Relógio
Se sente
no rádio relógio
o elogio
ao todo e o tudo
das noites passadas
que não fui
e nem fora
nas músicas distantes
de todas as freqüências
um gemido de vida,
pois o que sinto
num sentir falso
já esteve vivo um dia
em outras pessoas.
![]()
Imagem de: http://dezastrusicafea.deviantart.com/
Suicidas
Nos dias livres, os mortos
em cada apartamento,
olham:
o murmúrio da rua,
as correntes do tráfego,
a pessoas
todas as pessoas
(que parecem felizes)
e os mortos se atiram
num desespero
o mais doce desespero
de se sentirem vivos.
Sonhei que eu estava morto quando criança, e que eu e meu irmão cuidavam de uma casa onde: “todos aqueles que perderam suas vidas, quiseram voltar para poder sentir em si o gosto de ganhar algo ao menos uma vês…” mas eles usavam máscaras, maquiagem, e viviam numa triste peça daquilo que pensavam ser, ou daquilo que se cobravam a ser…
Crianças que não viveram, “tias solteironas”, velhos infelizes, pessoas que viveram presas, todos aqueles que não puderam ser feliz…
![]()
Tento escrever-te algum soneto,
como os comuns que já escrevi,
feito um antigo e azul poemeto
dentre os tons que revivi.
Que preciso e assim prometo
feito o querer de quando a vi,
feito um beijar, beijar-te feito
feito qualquer que bem perdi.
Tento escrever-te qualquer poema,
pouco me importa algum destino,
quando não verso o que se vive.
Preso na frase algum dilema…
Fica calado o azul menino
dentro dum mundo que contive…
tenho de parar de ler Camões